17/05/08

...Desvio ao Itinerário : para uma "dialógica"...


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...MUDANÇA DE RUMO...


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…DESVIO AO ITINERÁRIO…




Venho um pouco atrasada _ isto é uma indiscrição deliberada, para acrescentar à queixa que pretendo depor por aqui, relativa ao cansaço que me deu a selecção de material que reli, e ainda todo o novo que consegui entretanto reunir, para tratar um tema específico, submetido a um título demarcado: o que me propunha fazer desde a última página.

Pronto! Isso arrasou com os meus propósitos e então, atirando para trás toda a confusão em que subitamente me vi mergulhada, reneguei toda e qualquer batalha por domínios e territórios que, após tempos de existência como “terras de ninguém”, se têm visto abarbatados por autores e intérpretes dos tempos e modas que, de um momento para o outro, se multiplicaram sobre o tema: Inteligência Emocional. E a palavra multiplicar é deliberada e quase
biblicamente conotativa (!!) pois, entre “pai-razão” e “mãe-emoção”, algo aconteceu e sucederam-se as “Inteligênciazinhas Múltiplas”, filhotes plenos de vivacidade, a ponto de não se chegar a qualquer conclusão final sobre o seu número…(e quais os seus talentos, sobretudo à luz dos senhorios do mercado de trabalho que os virá a alimentar _ou vice-versa…).



De modo que vou enveredar por outro caminho(mas não se iludam muito: é apenas um pequeno desvio...). E antes mesmo de puxar de mapa ou bússola _ou do mais moderno GPS _, vou refrescar-me um pouco nas palavras-ideias e na dialógica _de Edgar Morin*, no seu livro “Amor, Poesia, Sabedoria”**.




Descobri (há cinco anos, a completar no próximo mês de feira de...), livro e autor, por um desses acasos com que me habituara a contar para preencher lacunas que vagamente sentia ou que ainda não sabia que tinha...até encontrar o que não soubera que me faltava!
Sobretudo, descobri-me adepta das suas ideias, minhas meditações _ por isso não posso assumir-me sua discípula, pois seria demasiado descarado tal acto de narcisismo; digamos que me senti validada.
Até na matriz dialéctica, de convivência e integração*** de paradoxos, me encontrei (veja-se o seu neologismo: a"dialógica"...e outas noções).
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É pois, bastante confortável poder repousar nos encadeamentos que alguém de tal reconhecimento apresenta já destinados à leitura e vou limitar-me a seleccionar _ em diferentes páginas, a modo de etapas _ já que seguimos como que em viagem, neste espaço... _ pequenos excertos da obra citada, que, como não podia deixar de fazer, recomendo para uma leitura integral...e saborosa...


E como pré-etapa, deixarei ficar o conceito que E. Morin apresenta e defende, no "Prólogo", de "Homo demens":

"A ideia de que se possa definir homo, dando-lhe a qualidade de sapiens, i.e., de um ser razoável e sábio é uma ideia pouco razoável e pouco sábia. Homo é também demens: manifesta uma afectividade extrema (...) com paixões, mudanças brutais de humor; traz em si uma fonte permanente de delírio; (...) dá corpo, existência, poder a mitos e deuses da sua imaginação (...).
A loucura humana é fonte de ódio, crueldade, barbárie, cegueira. Mas sem as desordens da afectividade e as irrupções do imaginário, sem a loucura do impossível, não existiria entusiasmo, criação, invenção, amor, poesia.(…)

(o resto fica desde já reservado/adiado para posteriores ... "edições" ... aqui próximo ...)




*_Edgar Morin, historiador, sociólogo e filósofo, é considerado um dos maiores pensadores do séc. XX. Foi activista da Resistência Francesa. Presidente da Agência Europeia para a Cultura e da Associação para o Pensamento Complexo; comendador da Ordem das Artes e Letras e Oficial da Legião de Honra de França; Director de investigação no CNRS e co-director do Centro de Estudos Transdiscipinares do E.H.S.S.; é sócio conselheiro honorário do Instituto Piaget.
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**_Excerto de comentário em " Nouvel Observateur", retirado da contracapa do livro:"Amor, Poesia; Sabedoria", Editions du Seuil, 1997_ colecção "Epistemologia e Sociedade"; tradução de Ana Paula Viveiros:

" Enquanto, por todo o lado, não cessa a enumeração de crimes, Edgar Morin surge pensando em flores e palavras doces, sonha com a criança que se vincula à mãe, com os passarinhos… (...). Perante o "desfraldar da hiperprosa" que é a uniformização da dor, não estará E.M. a demonstrar um enorme interesse em reanimar um ramo de flores que se julgava murcho?
Amor, Poesia, Sabedoria, segundo o autor, procedem de um mesmo fundo da vida sentimental, desse terreno obscuro, fervente, destruidor, inquietante, feroz e sedutor que faz do nosso corpo o ruidoso vizinho do nosso espírito (mente) que pensa. A razão contra a paixão? A sabedoria mais que loucura? É loucura ser demasiado razoável. Morin, nesta obra, demonstra como tudo se troca e comunica numa "dialógica permanente" e que a palavra "transporte" outrora tinha um significado muito melhor, pois significava a respiração amorosa; isto, claro, antes de a civilização moderna lhe atribuir exclusivamente as emanações de hidrocarbonetos. Após a leitura das suas belíssimas e tocantes meditações tiraremos por lição que viver é sentir a vida".

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(*** " Deviamos ser co-pilotos do planeta Terra " e " Eu acredito possível a convergência entre todas as ciências e a identidade humana " são frases. posições e temáticas tratadas por este sociólogo-pensador. A procurar...)

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