
...VIAJANDO...
.
.............PARA A HARMONIA...
...OS SINAIS DOS DIAS
..................E AS PALAVRAS...

O busílis que mais recentemente se prefigura e enrola problematicamente no centro das minhas cogitações… chamemos-lhes: pratico-filosóficas, tem precisamente a ver com a auto-ética, as suas configurações e limites na questão da intervenção pessoal e inter-pessoal da construção do desiderato: o mundo que vivemos, que tomamos de empréstimo, de que temos contas a dar… se formos capazes de olhar para além do próprio e presente umbigo (o que, convenhamos, se tornou fisicamente impossível _ sem espelhos _ para uma considerável fatia da população sobre- embora mal-alimentada).
No período imediatamente após o meu… retorno à vida, de modo progressivamente consciente, tentativamente mais natural, quanto mais não fosse pelo abandono e substituição menos agressiva de medicação farmacológica, mas sobretudo por opções de vida mais pacíficas e apropriadas a um natural crescimento até aí interrompido ou impedido, encontrei-me em estado de alerta, o que me tornou muito mais sensível ao meio _ em todos os níveis. A busca da companhia da natureza sucedeu naturalmente _ e acentuou como necessidade a sensação de preferência desse caminho para o restauro de equilíbrio: o reconquistado, aquele a preservar… e o que se anseia conseguir ainda.
.

Aprendi então a “escutar”: a mim, as minhas reacções ao meio, aos outros e, no geral, àquilo que me “tocava” mais impressivamente a cada momento, fazendo de alguns pequenos acontecimentos ou tão apenas “impressões” o que passei a denominar como “sinais dos dias”. Era o tempo de não haver coincidências ocas _ todas elas “falavam”, e eu só tinha que aprender e aperfeiçoar essa linguagem; de todas as minhas fragilidades, reunidas, eu fiz a minha força, sem rigidez, a uma só voz, em todas as tonalidades, ao som dessa espécie de música, expressão mais aproximada a… uma “sugestão” de harmonia. Raramente tive tantas questões aborrecidas, conturbadas, dolorosas a resolver _ mas raramente me senti tão próxima “dos jardins do paraíso” como nessa altura!

A inversão dessa situação foi normalmente dando lugar a um equilíbrio natural com as re-aprendizagens* ao longo de alguns anos, e a novidade extática foi, com a costumeira habituação, sendo substituída por um certo pragmatismo “trabalhado”, com a consciência do desafio que é viver em contínua construção de um equilíbrio _ que nunca pode ser estático _, pois que só assim consegue sobreviver num “status quo” de predomínio dos maiores desiquilíbrios: esse é o meu quotidiano, o quotidiano de todos nós, os que participamos como partículas do mesmo corpo, o viajante em contínua auto-destruição, enquanto não entende que tudo nos une _ somos o tal único ser global; a diferenciação existe como a das células que se organizam em tecidos diferenciados para se cumprirem em diferenciadas funções como órgãos do mesmo corpo…
A existência de conflitos como a guerra é equivalente a um acto de auto-mutilação.
Será necessário padecer muito mais, até sabe-se lá qual o limite, para que toda a gente finalmente entenda?

Mas voltando à perspectiva pessoal, que deu início a esta intervenção, nesta contínua, muito deliberada auto-construção do quotidiano próprio, a atenção ao peso das palavras tornou-se essencial e básica. Há quem lhe dê nomes de ferramentas de auto-desenvolvimento, terapias com fundamentos psicológicos. O rótulo certo não é importante; o modo como é usado é a base do seu efeito, seja treino autogénico ou aplicação mântrica. Sei que conhecimentos de velhas culturas se transportaram ao longo dos tempos, mas também há conhecimentos que existem sem conhecerem o gosto da dúvida e assim se afirmam. Sei de quem se ganhou, em territórios próprios que mapeou em caminhos solitários mas que asseguram que é assim, e impõem-se à certeza da bússola interior.

Os dias são feitos de dúvidas e incertezas, desafios, perdas e ganhos, portanto, também têm de ter lugar para certas… certezas. E escolho… não escolher algumas palavras dentro de uma área de segurança, da minha proximidade… e fazer de outras as estrelas-guias dos meus dias… para que continuem a ter luz, e a fazerem-se para conhecer e, grande ambiciosa!, dar a conhecer… luz!
*_ …Porque para comungar com a Natureza e apercebermo-nos da realidade da interioridade (e vai dar quase ao mesmo…: “Como em cima, assim em baixo”), é essencial “desaprender” primeiramente tudo _ ou o máximo do que adquirimos sem reflexão.
Mas, claro, sou só eu a “falar”… Há tanto para ler, tão só _ mas com os olhos do coração! _ contemplar, pensar, a sós descobrir… Afinal, também desde os primórdios dos tempos há quem diga: “ Somos o mestre de nós mesmos”…
..................
.





















