01/09/08

...VIAJANDO...PARA A HARMONIA...

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...VIAJANDO...

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.............PARA A HARMONIA...



...OS SINAIS DOS DIAS

..................E AS PALAVRAS...





É bela e repousante a ideia-teoria _ daquelas que o Oriente antigo ainda consegue oferecer como algo novo a quem se levanta por onde o sol se deita _ de que o Universo segue indiferentemente o seu curso, sem escolhas e sem desvios, num movimento que se desenrola harmoniosamente e em direcção, se tal fosse possível, a um destino de Harmonia; por conseguinte, quem consiga “apanhar boleia “, na capacidade de viajante que dele participa, seguindo o rumo naturalmente, com o mínimo de conflito e, portanto, de atrito, viajará na mesma conformidade a essa harmonia… Lindo, não é?









O busílis que mais recentemente se prefigura e enrola problematicamente no centro das minhas cogitações… chamemos-lhes: pratico-filosóficas, tem precisamente a ver com a auto-ética, as suas configurações e limites na questão da intervenção pessoal e inter-pessoal da construção do desiderato: o mundo que vivemos, que tomamos de empréstimo, de que temos contas a dar… se formos capazes de olhar para além do próprio e presente umbigo (o que, convenhamos, se tornou fisicamente impossível _ sem espelhos _ para uma considerável fatia da população sobre- embora mal-alimentada).





No período imediatamente após o meu… retorno à vida, de modo progressivamente consciente, tentativamente mais natural, quanto mais não fosse pelo abandono e substituição menos agressiva de medicação farmacológica, mas sobretudo por opções de vida mais pacíficas e apropriadas a um natural crescimento até aí interrompido ou impedido, encontrei-me em estado de alerta, o que me tornou muito mais sensível ao meio _ em todos os níveis. A busca da companhia da natureza sucedeu naturalmente _ e acentuou como necessidade a sensação de preferência desse caminho para o restauro de equilíbrio: o reconquistado, aquele a preservar… e o que se anseia conseguir ainda.



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Aprendi então a “escutar”: a mim, as minhas reacções ao meio, aos outros e, no geral, àquilo que me “tocava” mais impressivamente a cada momento, fazendo de alguns pequenos acontecimentos ou tão apenas “impressões” o que passei a denominar como “sinais dos dias”. Era o tempo de não haver coincidências ocas _ todas elas “falavam”, e eu só tinha que aprender e aperfeiçoar essa linguagem; de todas as minhas fragilidades, reunidas, eu fiz a minha força, sem rigidez, a uma só voz, em todas as tonalidades, ao som dessa espécie de música, expressão mais aproximada a… uma “sugestão” de harmonia. Raramente tive tantas questões aborrecidas, conturbadas, dolorosas a resolver _ mas raramente me senti tão próxima “dos jardins do paraíso” como nessa altura!






A inversão dessa situação foi normalmente dando lugar a um equilíbrio natural com as re-aprendizagens* ao longo de alguns anos, e a novidade extática foi, com a costumeira habituação, sendo substituída por um certo pragmatismo “trabalhado”, com a consciência do desafio que é viver em contínua construção de um equilíbrio _ que nunca pode ser estático _, pois que só assim consegue sobreviver num “status quo” de predomínio dos maiores desiquilíbrios: esse é o meu quotidiano, o quotidiano de todos nós, os que participamos como partículas do mesmo corpo, o viajante em contínua auto-destruição, enquanto não entende que tudo nos une _ somos o tal único ser global; a diferenciação existe como a das células que se organizam em tecidos diferenciados para se cumprirem em diferenciadas funções como órgãos do mesmo corpo…
A existência de conflitos como a guerra é equivalente a um acto de auto-mutilação.
Será necessário padecer muito mais, até sabe-se lá qual o limite, para que toda a gente finalmente entenda?







Mas voltando à perspectiva pessoal, que deu início a esta intervenção, nesta contínua, muito deliberada auto-construção do quotidiano próprio, a atenção ao peso das palavras tornou-se essencial e básica. Há quem lhe dê nomes de ferramentas de auto-desenvolvimento, terapias com fundamentos psicológicos. O rótulo certo não é importante; o modo como é usado é a base do seu efeito, seja treino autogénico ou aplicação mântrica. Sei que conhecimentos de velhas culturas se transportaram ao longo dos tempos, mas também há conhecimentos que existem sem conhecerem o gosto da dúvida e assim se afirmam. Sei de quem se ganhou, em territórios próprios que mapeou em caminhos solitários mas que asseguram que é assim, e impõem-se à certeza da bússola interior.
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Os dias são feitos de dúvidas e incertezas, desafios, perdas e ganhos, portanto, também têm de ter lugar para certas… certezas. E escolho… não escolher algumas palavras dentro de uma área de segurança, da minha proximidade… e fazer de outras as estrelas-guias dos meus dias… para que continuem a ter luz, e a fazerem-se para conhecer e, grande ambiciosa!, dar a conhecer… luz!






*_ …Porque para comungar com a Natureza e apercebermo-nos da realidade da interioridade (e vai dar quase ao mesmo…: “Como em cima, assim em baixo”), é essencial “desaprender” primeiramente tudo _ ou o máximo do que adquirimos sem reflexão.
Mas, claro, sou só eu a “falar”… Há tanto para ler, tão só _ mas com os olhos do coração! _ contemplar, pensar, a sós descobrir…
Afinal, também desde os primórdios dos tempos há quem diga: “ Somos o mestre de nós mesmos”…




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22/08/08

VIAGENS ESTELARES...

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VIAGENS ESTELARES...


“A Leitura torna o Homem completo; a Conversação torna-o ágil e a Escrita confere-lhe precisão.” _ Sir Francis Bacon (1561 – 1626)




Abrir uma porta e… sim, é comum, e não só nos sonhos recorrentes que “apanham” algumas personalidades típicas que podem ser descritas _ porque até existem obras de estudo escritas sobre elas *_ por essa, entre outras, características. Claro, mas … o quê?
Ah, pois, depois da porta, não há nada. Apenas a sensação sempre nova mas sempre esmagadoramente nauseante de queda. Não estou a falar de experiências surrealistas, e muito menos de influência de fármacos, mas tão só da natureza absolutamente “natural” dos tais sonhos de sono profundo _ mais ou menos! _, aos quais me habituei a chamar, desde a infância que permitia vocabulário e referências bibliográficas, “pesadelos de Alice (no País das
Maravilhas)”.





Não me refiro a esses. Falo dos que acontecem de sono parado, de vida em curso, embora pareça que a vida devesse parar…para se corrigir, talvez. Agora é mesmo uma metáfora: despenhar-me por mim abaixo é a viagem que tenho tentado adiar descrever, como se degustasse de antemão o amargor que a dificuldade encerra, talvez preparando-me para o deixar ficar, sem o levar de volta comigo, como quem despeja nesta página, aqui, um desagradável lastro, reconhecendo que a nave que percorre galáxias e caminhos de estrelas contém um porão de insondável escuridão e baús que balançam e remexem insuspeitados conteúdos nas voltas e contornos dessas investidas cósmicas…


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O pior desse sentimento é a dor que se avoluma e cresce conforme se vai amontoando a experiência de vida ou consciência _ que comigo de pouco serve falar em passagem de tempo, não o conto pessoalmente como quando tenho que o fazer para comprazer os outros.

E de cada vez a indignação sobe como onda crescente de um fogo que faltou em cada um dos tantos momentos em que me despenhei naquele qualquer buraco de aflição e não estava lá este “eu” que agora saberia proteger-se/proteger-me, subtraindo toda a dor da infâmia desnecessária…por frescura, por inocência, por excesso de zelo, por devoção a “falsos deuses”, por…falta de fogo na luta…ou fogo a mais pela paz _ afinal: puro desajuste?! Mas serviria a qualquer fim o estabelecimento de responsabilidades, vulgo: culpas?










É reconhecidamente deliberada a minha rejeição de viagens no tempo com destino a passados: a vida é feita de opções e ninguém as faz virando-se para trás; eu faço-as sobre os aluviões das memórias, não virada para elas. Mas é incontornável e necessário a quem quer que já se tenha colocado perante a hipótese de se ver num cenário de perda de referências _ e toda a gente lê sobre isso, não é?? _ que este tipo de exercício não deixe de ser executado, tal como outro qualquer ritual de preservação da mobilidade física…

Porque a vida se faz de prosa como de poesia, e há que saber conviver com aquela para que esta pulse e seja o linimento e reforço …a caminho das estrelas.







* Refiro-me à caracterização por tipologias, tanto físicas como psicológicas, segundo a predominância das “doshas”, dentro da perspectiva Ayurvédica.


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26/07/08

Energia Criadora...A Força De Construção De Felicidade (?) ...

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Energia Criadora...

...A Força De Construção Da Felicidade (?)...


"...quando não existe a capacidade de dar expressão _ nomeadamente através das palavras _ a um fluxo de emoções, sobretudo se estas se encontram em situação de excesso, corre-se o risco de (dis)ruptura, que em muitas ocasiões pode desencadear explosões de fúria, ou violência, como até de furiosa impaciência…sobre outros.
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Este é o panorama mais frequente em meios de escassa literacia, pela razão óbvia enunciada, ou seja, não havendo palavras por onde o entendimento passe entre as pessoas, estas não se entendem. Em outros meios, que não os de baixa condição cultural, a violência pode do mesmo modo ocorrer pela incapacidade de estabelecer comunicação, independentemente do veículo; não é precisamente a falta de palavras que se fará sentir; possívelmente faltarão os gestos, ou melhor, o seu significado _ positivo _, ou tão só as presenças …
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Assim, é fácil de compreender que capacidade comunicativa não tem só a ver com a dimensão do léxico ou capacidade linguística; talvez tenha mais a ver com uma qualquer mas eficaz capacidade de dar expressão ao que se sente, i.e., traduzir através de uma ferramenta que servindo de filtro, delonga o processo de reflexão, fazendo a ponte entre causa e efeito (como a verbalização, sendo uma mentalização, a faz entre sensação ou emoção), não só prevenindo os acessos irracionais de violência _ em direcção ao exterior _ como até aqueles que, por excesso de constrição ou mera repressão, conduzam a actos autodestrutivos ou de efeitos perniciosos a prazo, como sejam as manifestações de... patologias.
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Então expressão será o fluxo de energia gerada e gerida de dentro para o exterior, de forma harmoniosa, e que tem a ver com a capacidade criativa, que é também uma necessidade pois dela depende que aquela relação seja equilibrada e satisfatória, pelo menos quanto à sua existência nesse sentido: dar forma a…de dentro para fora.
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Em coexistência com o fluxo acima descrito, deveria haver a outra fase correspondente, uma outra metade do circuito, representação em movimento circular de recepção de um fluxo de energia complementar da outra, ou o seu reflexo em influxo, para uma situação de equilíbrio ou harmonia, em contínua hetero-alimentação.
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Em sua ausência, ou de quantidade/qualidade suficiente ou satisfatória: escreva-se, desenhe-se, pinte-se; cante-se, toque-se/faça-se música, dance-se…borde-se, cozinhe-se _ seja o que for _ …dê-se ouvidos e mãos e corpo… _ o que seja mais apropriado a cada um _ mas que cada um saiba encontrar o que satisfatoriamente o faz mais feliz…ainda que seja só para ser …menos infeliz!"_ (
em moonlight.glow)








Com aquelas palavras como prólogo, gostaria de avançar apenas o suficiente para justificar a razão por que não irei _ pelo menos sozinha _ mais adiante sob aquele título. E o texto poderá, ou não, ser o interruptor de dar início à pretensão que passo a expôr: desejaria que esta página se tornasse (como qualquer vazio que potencialmente apela a ser preenchido...) um instrumento interactivo, no sentido a que pede para ser continuado, ainda se não concluído _ tão (mais? ) tola!, se aspirasse a tal...

Não dependo de público para ser emissora ou construtora de discurso; não necessito de aprovação para saber que tenho um lugar; não preciso de ser contestatária para chamar a atenção e afirmar as minhas posições. Sei quem sou, ou então não sei bem, mas não é este espaço que me dará as respostas a isso.

Sou suficientemente independente para não temer a inclusão de outros; sou suficientemente humana para não desprezar oportunidades de solidão.

Como se pode verificar, não existem acessórios para numerar as passagens ou presenças de leitores, nem inquéritos para medir aprovações ou desacordos. Qualquer visitante é bem vindo, mas indiferente ao que existe, sobretudo se não deixar de si um rasto _ e neste caso terá que ser visível, ou melhor, legível, voluntário e consciente. São essas, e apenas nesse formato, as contribuições, ou melhor, as parcerias que desta vez, desafio o éter a trazer e depôr por aqui.

Depois, quem quiser ou cá chegar poderá verificar:

Alguém se dispõe a registar algo sobre a F.E.L.I.C.I.D.A.D.E ?


Que contributo pode dar a ARTE?

Ou uma CRENÇA ou RELIGIÂO?
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A AUTO-ÉTICA será suficiente?
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A RIQUEZA ou o DESPOJAMENTO?
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A PAIXÃO ou a SERENIDADE?

O ISOLAMENTO ou o mergulho na SOLIDARIEDADE?

O PRAZER ou o SACRIFÍCIO?

Um BÓNUS ou uma CONQUISTA?







Vá lá: quem é o(a) primeira(o) a sair?

25/06/08

...Levantando Âncora... A Retomar Viagem...

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...Levantando Âncora...


"O Complexo De Amor"


Vamos então retomar viagem.
Ao leme segue Edgar Morin*; as águas são mansas, os ventos gentis: o tema é “ O Complexo de Amor”, do livro que já aqui nomeámos “Amor, Poesia, Sabedoria”**
E com a noção de que o que se segue é uma síntese-colagem de parcelas do livro que eu transcrevo com algumas adaptações óbvias para o necessário encurtamento, levanto a âncora com a frase do autor:
Amor é o auge da loucura e da sabedoria”.


E retomando da palavra presente no subtítulo desta página, explica-se que o amor é complexo, no sentido literal, um tecido de diferente fios ou multiplicidade de componentes, em que num extremo existe a componente física (biológica), e no outro a componente mitológica ou imaginária; sim porque (para ele) o mito não é uma superestrutura ou um imaginário, mas uma profunda realidade humana, anterior à própria palavra.
Dos ingredientes físicos, biológicos, antropológicos, a pouco e pouco se vai chegando aos mitológicos, passando pela sacralização do objecto amoroso. E toma então forma no encontro do sagrado com o profano, do mitológico e do sexual,
E embora derivando de uma expansão cultural e social, não obedece à ordem social, ignora leis e tais barreiras: aí, ou as despedaça ou se despedaça, dilacerando-se o indivíduo nesta bipolaridade ou, pelo contrário, “encontrando-se” a si próprio na felicidade do encontro entre a plenitude do corpo com a plenitude da alma. E é assim que o amor vive: renascendo sem cessar, qual Fénix.
Não dizia, também, Mário Césariny:..."[o amor] É a única coisa que há para acreditar. O único contacto que temos com o sagrado. As igrejas apanharam o sagrado e fizeram dele uma coisa muito triste, quando não cruel. O amor é o que nos resta do sagrado." ?

O amor conglomera, então, a categoria do sagrado, do sublime, do mítico, do mistério (li, há pouco _mas não sei onde nem de quem_ uma frase que congrega esta ideia, que todos reconhecemos:”Apaixonar-se é criar uma religião própria e idolatrar um deus falível"; a apontar para uma idêntica noção de endeusamento, muitos sorriem com o aforismo: "Ninguém é perfeito, até que alguém se apaixona...").
Perante o cepticismo da razão fria, racionalista e céptica (nascida no Século das Luzes) o amor é, não só dissolvido, como considerado ilusão e loucura.
Numa concepção romântica, ele torna-se a verdade do ser.
Será que s
e pode encontrar uma razão amorosa dialéctica que ultrapasse as limitações da razão gelada?

Já se viu que para E. Morin entre homo sapiens e homo demens _ loucura e sabedoria_ não existe uma fronteira nítida; também existem reversibilidades: uma vida racional é uma pura loucura.

“Empurrar a razão para os seus limites conduz ao delírio”. Ora, aqui, o amor surge como síntese, configurando o auge da união da loucura e da sabedoria. Ele traz esta contradição, que acaba por tornar-se uma espécie de chave para a solução da sua própria forma de existência contraditória.
E incluído na crença do que chamamos mitos, sem os quais não se pode viver, o amor (não só o individual mas com, e para além, desse; o amor muito mais alargado) configura-se como a melhor aposta que nos resta fazer_ mesmo com o risco da ilusão_ : entregarmo-nos a ele, dialogando com ele de forma crítica:
o amor faz parte da poesia da vida…
Mas atenção: se tudo fosse poesia não seria mais do que prosa! Do mesmo modo que é necessário o sofrimento para se conhecer a felicidade, é necessária a prosa para que haja poesia. Se tivéssemos uma vida em permanência poética nunca a sentiríamos. Temos necessidade da prosa para sentir a poesia.



O Tao-te-king diz: “A infelicidade caminha de braço dado com a felicidade; a felicidade deita-se aos pés da infelicidade”.

Onde reside, aqui, a sabedoria?
Em levar uma vida razoável, prosaica, erradicando a aposta no risco, na ilusão, na busca do prazer? Necessário é, sim, aceitar a “consumação” _ por oposto a “consumo”_ o desgaste, o desperdício, uma parte de loucura na vida e aí, sim, talvez encontrar a
sabedoria na capacidade de fruir nessa miscigenação de razão com loucura.
Não nos podendo privar de uma dialógica sempre em movimento entre a polaridade de demens e a polaridade de sapiens, será que a sabedoria se resume a evitar a pior demência?
Esse será o esforço da sabedoria. E aí entra a auto-ética.
Mas aqui paro eu, por hoje chega. Há, inclusive pistas para outras paragens.

A viagem continua...


*/** : Autor e obra referenciados na página anterior deste blog.

17/05/08

...Desvio ao Itinerário : para uma "dialógica"...


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...MUDANÇA DE RUMO...


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…DESVIO AO ITINERÁRIO…




Venho um pouco atrasada _ isto é uma indiscrição deliberada, para acrescentar à queixa que pretendo depor por aqui, relativa ao cansaço que me deu a selecção de material que reli, e ainda todo o novo que consegui entretanto reunir, para tratar um tema específico, submetido a um título demarcado: o que me propunha fazer desde a última página.

Pronto! Isso arrasou com os meus propósitos e então, atirando para trás toda a confusão em que subitamente me vi mergulhada, reneguei toda e qualquer batalha por domínios e territórios que, após tempos de existência como “terras de ninguém”, se têm visto abarbatados por autores e intérpretes dos tempos e modas que, de um momento para o outro, se multiplicaram sobre o tema: Inteligência Emocional. E a palavra multiplicar é deliberada e quase
biblicamente conotativa (!!) pois, entre “pai-razão” e “mãe-emoção”, algo aconteceu e sucederam-se as “Inteligênciazinhas Múltiplas”, filhotes plenos de vivacidade, a ponto de não se chegar a qualquer conclusão final sobre o seu número…(e quais os seus talentos, sobretudo à luz dos senhorios do mercado de trabalho que os virá a alimentar _ou vice-versa…).



De modo que vou enveredar por outro caminho(mas não se iludam muito: é apenas um pequeno desvio...). E antes mesmo de puxar de mapa ou bússola _ou do mais moderno GPS _, vou refrescar-me um pouco nas palavras-ideias e na dialógica _de Edgar Morin*, no seu livro “Amor, Poesia, Sabedoria”**.




Descobri (há cinco anos, a completar no próximo mês de feira de...), livro e autor, por um desses acasos com que me habituara a contar para preencher lacunas que vagamente sentia ou que ainda não sabia que tinha...até encontrar o que não soubera que me faltava!
Sobretudo, descobri-me adepta das suas ideias, minhas meditações _ por isso não posso assumir-me sua discípula, pois seria demasiado descarado tal acto de narcisismo; digamos que me senti validada.
Até na matriz dialéctica, de convivência e integração*** de paradoxos, me encontrei (veja-se o seu neologismo: a"dialógica"...e outas noções).
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É pois, bastante confortável poder repousar nos encadeamentos que alguém de tal reconhecimento apresenta já destinados à leitura e vou limitar-me a seleccionar _ em diferentes páginas, a modo de etapas _ já que seguimos como que em viagem, neste espaço... _ pequenos excertos da obra citada, que, como não podia deixar de fazer, recomendo para uma leitura integral...e saborosa...


E como pré-etapa, deixarei ficar o conceito que E. Morin apresenta e defende, no "Prólogo", de "Homo demens":

"A ideia de que se possa definir homo, dando-lhe a qualidade de sapiens, i.e., de um ser razoável e sábio é uma ideia pouco razoável e pouco sábia. Homo é também demens: manifesta uma afectividade extrema (...) com paixões, mudanças brutais de humor; traz em si uma fonte permanente de delírio; (...) dá corpo, existência, poder a mitos e deuses da sua imaginação (...).
A loucura humana é fonte de ódio, crueldade, barbárie, cegueira. Mas sem as desordens da afectividade e as irrupções do imaginário, sem a loucura do impossível, não existiria entusiasmo, criação, invenção, amor, poesia.(…)

(o resto fica desde já reservado/adiado para posteriores ... "edições" ... aqui próximo ...)




*_Edgar Morin, historiador, sociólogo e filósofo, é considerado um dos maiores pensadores do séc. XX. Foi activista da Resistência Francesa. Presidente da Agência Europeia para a Cultura e da Associação para o Pensamento Complexo; comendador da Ordem das Artes e Letras e Oficial da Legião de Honra de França; Director de investigação no CNRS e co-director do Centro de Estudos Transdiscipinares do E.H.S.S.; é sócio conselheiro honorário do Instituto Piaget.
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**_Excerto de comentário em " Nouvel Observateur", retirado da contracapa do livro:"Amor, Poesia; Sabedoria", Editions du Seuil, 1997_ colecção "Epistemologia e Sociedade"; tradução de Ana Paula Viveiros:

" Enquanto, por todo o lado, não cessa a enumeração de crimes, Edgar Morin surge pensando em flores e palavras doces, sonha com a criança que se vincula à mãe, com os passarinhos… (...). Perante o "desfraldar da hiperprosa" que é a uniformização da dor, não estará E.M. a demonstrar um enorme interesse em reanimar um ramo de flores que se julgava murcho?
Amor, Poesia, Sabedoria, segundo o autor, procedem de um mesmo fundo da vida sentimental, desse terreno obscuro, fervente, destruidor, inquietante, feroz e sedutor que faz do nosso corpo o ruidoso vizinho do nosso espírito (mente) que pensa. A razão contra a paixão? A sabedoria mais que loucura? É loucura ser demasiado razoável. Morin, nesta obra, demonstra como tudo se troca e comunica numa "dialógica permanente" e que a palavra "transporte" outrora tinha um significado muito melhor, pois significava a respiração amorosa; isto, claro, antes de a civilização moderna lhe atribuir exclusivamente as emanações de hidrocarbonetos. Após a leitura das suas belíssimas e tocantes meditações tiraremos por lição que viver é sentir a vida".

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(*** " Deviamos ser co-pilotos do planeta Terra " e " Eu acredito possível a convergência entre todas as ciências e a identidade humana " são frases. posições e temáticas tratadas por este sociólogo-pensador. A procurar...)

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27/04/08

...Bloguite...

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BLOGUITE ??!




..........Não, não se trata de edificar altares à auto-glorificação.
..........Nem sequer um banho de modernidade num rio que flui a imparável velocidade, remetendo qualquer ideia de domínio na mais absoluta caducidade…
..........Poderia ainda ser um acto de anti-orgulho, decretado pela humildade que requer a exposição pública – acto de superação nunca antes concretizado…talvez aproximação a uma maturidade tardia, de indiferença pelas opiniões alheias (e um dos apetrechos daquela “bagagem para a vida “ que cada vez mais e melhor temos que aprender a acondicionar..._ lembram-se? : a resiliência necessária aos embates, pelos embates adquirida e integrada).
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..........A mim tem-me parecido mais que se trata de um modo de harmonizar modalidades de vida, à partida nunca as desejadas, mas que não podem deixar de ser consentidas…e optimizadas, se queremos ser coerentes com as palavras-ideias que apregoamos a quem se dispõe a escutar os ventos que as transportam…
..........Claro que a palavra h.a.r.m.o.n.i.a tem aqui o sentido de equilíbrio nunca estático, mais uma resolução dinâmica entre forças opostas, num movimento (lento ou nem tanto _ não interessa) vocacionado para a mudança, daí se extraindo o seu carácter permanente _ é verdade, sim : é o conceito das oposições Yin/yang, dos ensinamentos de Lao Tse no “Tao Te Ching”_ “Livro Das Mutações _, mas também o de Heraclito:”Nada permanece, tudo muda”.
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..........Mas não foi para glosar o tema que aqui o trouxe; pretendia apenas tornar mais clara, talvez mesmo a meus próprios olhos _ da mente, “cela va de soi” _ esta presente mania ou bloguite, e aceito o epíteto, pois manifestou-se de maneira pluriforme (desde sempre me reconheço como tendo uma mente diletante _sem ter a ver com "o" diletantismo literário _; portanto…). Vejamos: pressionada nos últimos anos a abdicar de parte do meu finalmente-conquistado-tempo-útil-próprio, novamente_mas em retrocesso qualitativo_com mais tempo em ambiente pouco salutar, senti a necessidade de potenciar o tempo restante, sem tempo em recre/iação em companhias que nunca há tempo para…seleccionar.
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..........Conclusão (uff!): parece-me mais compreensível aceitar que seja um modo _ se não mesmo uma estratégia _ de contornar de forma equilibrada a ausência de presenças, gozo de quem está livre de solidões acompanhadas, e recria a seu gosto um interlocutor favorável _ pelo menos no que respeita às suas escolhas e preferências_, sem querer muito descobrir se é virtual, imaginário...ou até se é capaz de vir a dar troco. Isso acontece há bastante tempo, a sua edição é apenas mais um pretexto, uma brincadeira de auto-estímulo à capacidade de lidar com ferramentas desafiantes…e a oportunidade de arejar fundos de algumas das gavetas _ e do “sótão ambulante” que nos acompanha... ( e isto para não me deter na questão de ser uma válvula de escape a frustrações de expectativas goradas para ..."plataformar"...; mas, enfim!...)

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..........E retiro-me deste agora com algumas palavras de Santo Agostinho:”…para mim nenhuma ocupação parecia favorável se não proporcionasse lazeres que podiam ser aproveitados para se estudar filosofia, nenhuma vida era feliz desde que não pudesse ser vivida na filosofia.”

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..........Óptica radical, não? Pois em outra ocasião poderei até trazer algo…oposto. Porque não??!

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25/04/08

...Com Amor e Com Humor...

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" Resiliência é um conceito oriundo da física, que se refere à propriedade de que são dotados alguns materiais, de acumular energia quando exigidos ou submetidos a estresse, voltando em seguida ao seu estado original, sem qualquer deformação - como um elástico ou uma vara de salto em altura, que se verga até um certo limite sem se quebrar e depois retorna com força, lançando o atleta para o alto.
O cientista
inglês Thomas Young foi um dos primeiros a usar o termo. Tudo aconteceu quando estudava a relação entre a tensão e a compressão de barras metálicas, em 1807. Resiliência para a física é, portanto, a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido pressão. " _ Wikipedia _ http://pt.wikipedia.org/wiki/Resili%C3%AAncia

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" A resiliência tem que ver com a capacidade de um indivíduo para ultrapassar os traumatismos e construir-se apesar das feridas. O funcionamento resiliente edifica-se através de um jogo complexo de processos defensivos de ordem intrapsíquica e de factores de protecçõo internos e externos. O estudo da resiliência vem completar o campo da psicologia clínica e da psicopatologia ao constituir um novo modelo fundado na abordagem do sujeito encarado na sua globalidade, com os seus recursos e os seus processos defensivos assim como com as suas fragilidades. Esta obra explicita os fundamentos teóricos do modelo da resiliência e as suas articulações com o modelo da vulnerabilidade. (...) ... "_ Maria Anaut


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A ALQUIMIA DA DOR



Amor e Humor são o que fica, a lição e o emblema dos que não pretendem conquistar o mundo... mas já o derrotaram, sobreviventes... e superados. E estas pequenas e tão polissémicas palavras não contêm para esses qualquer equívoco e elas são, ao mesmo tempo, seu escudo e suas armas...

E assim se passa da área da Física para outras, onde a Psicologia a tomou de empréstimo, ultrapassando-lhe o conceito físico de retorno à forma original em outra dimensão _também a tem o seu objecto, "cela va de soi", _ pois por norma, segundo estudos feitos, estes indivíduos, para além da superação de experiências traumáticas pessoais, ganham capacidades potenciadoras em termos de intervenção junto de outros sujeitos a trauma. É ainda uma área de intervenção na psiquiatria e pedopsiquiatria e actualmente
um tema em estudo e aplicação na pedagogia... e a ele contamos regressar...


(Veja mais sobre este assunto: http://pt.wikipedia.org/wiki/Resili%C3%AAncia_%28psicologia%29 )



23/04/08

...Uma Bússola Dos Dias...

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SAILING...

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Vou sair
A fazer vela
Na veia cava
Do mundo.

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E enquanto
Traço rotas
Vou fazer de
Cada memória
Um bem enterrado
Defunto

.....

Vou dedicar-lhe
Lápide, flor,
Um quê de oratória
_ Lágrima, nunca!
Nem prece,
Que reservo
Ao futuro.

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E a cruz que
Vou deixar
Vai ganhar
Um substituto:
Rosa-dos-ventos
De amar
Em todos os pontos
Cardeais
_Em um Universo
Sem fundo.
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Casa da Água - Livro II – 04-05


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(...) Quando descobri a expressão “ dar a volta ao texto “, algo em mim passou a ter nome, significado com território mapeado. Mais tarde, cheguei mesmo a dobrar as arestas de certas esquinas, a virar direcções da rosa-dos-ventos, a alienar bússolas certas e a fazer faróis de luzeiros sem órbita fixa.(...) _ "Registos"


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..........Assim, à laia de prólogo, e ainda que de modo um tanto indirecto, faz-se a abertura deste blog, um lugar vocacionado, à partida, para reflectir sobre as deixas / ensaios dos dias ainda por subir ao palco da vida..._ e pleno de escolhos na própria criação!, (quem acompanhou a edição original poderá ter-se dado conta de alterações na edição...indesejadas, no mínimo...), mas adiante! ... _ e, já por isso mesmo, um exemplo de sua razão de existir: lugar de pôr à disposição e consideração de quem passe, e se detenha, num pano de fundo tecido de palavras-luzeiros de grandes pensadores e pretendo-saberes dos actores dos dias que passam, entrelaçando contribuições com interrogações, pausas, avanços, talvez recuos, quem sabe?, que a vida faz-se a descobrir...

.........Enfim, sem pretender ser tomada por ambiciosa, gostaria de dar espaços, e lugar, a diferentes sentidos e formas de ver a Filosofia, que deixa a muito boa gente a impressão de ser uma velha senhora disciplina sentada num elevado pedestal_ e geralmente também muito disciplinada _, um pouco mofenta, quiçá uma espécie de monumento desgastado ou até em pré-ruína, para ser admirada à distância.


........No meu entender, a Filosofia deveria, sim, ser um farol de orientação, uma bússola dos dias que têm de ser vividos com os olhos da alma a sobreporem-se aos olhos do corpo, numa era eminentemente materialista, que todos denominam de falência de valores... _ mas que valores...que falência, entre tantas que vão ocorrendo...?!

..........De certo modo, é para mim uma forma de falência aquela que se limita _ e delimita por esse motivo _ a diagnosticar o que está mal. É interessante determo-nos a verificar que a ajuda mais modernamente procurada é a dos psicólogos, na ajuda a "crises" de índole pessoal/familiar/social, etc., que os individuos mais cultural ou finaneiramente equipados procuram.

.. .......Não seria tão mais interessante e positivo ter a ajuda de filósofos a conduzirem terapias, numa, finalmente, Prática da Filosofia (a não confundir, nem por um momento, com qualquer movimento denominado "pragmatismo"), apontando caminhos em frente, destacando o melhor a potenciar em cada um e suas circunstâncias, em vez de se desgastarem os pobres pacientes em intermináveis re-visitas a passados caducos, perpetuando rastos de vidas em ópticas distorcidas pela falta de clareza ou de auto-conhecimento, tantas vezes o verdadeiro cerne de tanto sofrimento?
E eis o espaço, venham os depoimentos...

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Nota: Desde já fique como reparo o relativo valor que deve pesar, face à expressão de opiniões pessoais, o de citações de nomes de personalidades, nomeadamente de pensadores e filósofos aqui invocados/a invocar. Para mim trata-se de um retorno, sem rendição :" Pois o homem que pensa pela sua cabeça conhece as autoridades pelas suas opiniões só depois de ter adquirido opiniões próprias, e só para as confirmar, enquanto o filósofo livresco começa pelas autoridades, conseguindo construir as suas opiniões através da junção das opiniões dos outros: depois, o seu espírito fica a parecer-se com o deles, tanto como um autómato se parece com um homem verdadeiro." _ A. Schopenhauer.


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