27/04/08

...Bloguite...

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BLOGUITE ??!




..........Não, não se trata de edificar altares à auto-glorificação.
..........Nem sequer um banho de modernidade num rio que flui a imparável velocidade, remetendo qualquer ideia de domínio na mais absoluta caducidade…
..........Poderia ainda ser um acto de anti-orgulho, decretado pela humildade que requer a exposição pública – acto de superação nunca antes concretizado…talvez aproximação a uma maturidade tardia, de indiferença pelas opiniões alheias (e um dos apetrechos daquela “bagagem para a vida “ que cada vez mais e melhor temos que aprender a acondicionar..._ lembram-se? : a resiliência necessária aos embates, pelos embates adquirida e integrada).
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..........A mim tem-me parecido mais que se trata de um modo de harmonizar modalidades de vida, à partida nunca as desejadas, mas que não podem deixar de ser consentidas…e optimizadas, se queremos ser coerentes com as palavras-ideias que apregoamos a quem se dispõe a escutar os ventos que as transportam…
..........Claro que a palavra h.a.r.m.o.n.i.a tem aqui o sentido de equilíbrio nunca estático, mais uma resolução dinâmica entre forças opostas, num movimento (lento ou nem tanto _ não interessa) vocacionado para a mudança, daí se extraindo o seu carácter permanente _ é verdade, sim : é o conceito das oposições Yin/yang, dos ensinamentos de Lao Tse no “Tao Te Ching”_ “Livro Das Mutações _, mas também o de Heraclito:”Nada permanece, tudo muda”.
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..........Mas não foi para glosar o tema que aqui o trouxe; pretendia apenas tornar mais clara, talvez mesmo a meus próprios olhos _ da mente, “cela va de soi” _ esta presente mania ou bloguite, e aceito o epíteto, pois manifestou-se de maneira pluriforme (desde sempre me reconheço como tendo uma mente diletante _sem ter a ver com "o" diletantismo literário _; portanto…). Vejamos: pressionada nos últimos anos a abdicar de parte do meu finalmente-conquistado-tempo-útil-próprio, novamente_mas em retrocesso qualitativo_com mais tempo em ambiente pouco salutar, senti a necessidade de potenciar o tempo restante, sem tempo em recre/iação em companhias que nunca há tempo para…seleccionar.
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..........Conclusão (uff!): parece-me mais compreensível aceitar que seja um modo _ se não mesmo uma estratégia _ de contornar de forma equilibrada a ausência de presenças, gozo de quem está livre de solidões acompanhadas, e recria a seu gosto um interlocutor favorável _ pelo menos no que respeita às suas escolhas e preferências_, sem querer muito descobrir se é virtual, imaginário...ou até se é capaz de vir a dar troco. Isso acontece há bastante tempo, a sua edição é apenas mais um pretexto, uma brincadeira de auto-estímulo à capacidade de lidar com ferramentas desafiantes…e a oportunidade de arejar fundos de algumas das gavetas _ e do “sótão ambulante” que nos acompanha... ( e isto para não me deter na questão de ser uma válvula de escape a frustrações de expectativas goradas para ..."plataformar"...; mas, enfim!...)

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..........E retiro-me deste agora com algumas palavras de Santo Agostinho:”…para mim nenhuma ocupação parecia favorável se não proporcionasse lazeres que podiam ser aproveitados para se estudar filosofia, nenhuma vida era feliz desde que não pudesse ser vivida na filosofia.”

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..........Óptica radical, não? Pois em outra ocasião poderei até trazer algo…oposto. Porque não??!

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25/04/08

...Com Amor e Com Humor...

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" Resiliência é um conceito oriundo da física, que se refere à propriedade de que são dotados alguns materiais, de acumular energia quando exigidos ou submetidos a estresse, voltando em seguida ao seu estado original, sem qualquer deformação - como um elástico ou uma vara de salto em altura, que se verga até um certo limite sem se quebrar e depois retorna com força, lançando o atleta para o alto.
O cientista
inglês Thomas Young foi um dos primeiros a usar o termo. Tudo aconteceu quando estudava a relação entre a tensão e a compressão de barras metálicas, em 1807. Resiliência para a física é, portanto, a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido pressão. " _ Wikipedia _ http://pt.wikipedia.org/wiki/Resili%C3%AAncia

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" A resiliência tem que ver com a capacidade de um indivíduo para ultrapassar os traumatismos e construir-se apesar das feridas. O funcionamento resiliente edifica-se através de um jogo complexo de processos defensivos de ordem intrapsíquica e de factores de protecçõo internos e externos. O estudo da resiliência vem completar o campo da psicologia clínica e da psicopatologia ao constituir um novo modelo fundado na abordagem do sujeito encarado na sua globalidade, com os seus recursos e os seus processos defensivos assim como com as suas fragilidades. Esta obra explicita os fundamentos teóricos do modelo da resiliência e as suas articulações com o modelo da vulnerabilidade. (...) ... "_ Maria Anaut


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A ALQUIMIA DA DOR



Amor e Humor são o que fica, a lição e o emblema dos que não pretendem conquistar o mundo... mas já o derrotaram, sobreviventes... e superados. E estas pequenas e tão polissémicas palavras não contêm para esses qualquer equívoco e elas são, ao mesmo tempo, seu escudo e suas armas...

E assim se passa da área da Física para outras, onde a Psicologia a tomou de empréstimo, ultrapassando-lhe o conceito físico de retorno à forma original em outra dimensão _também a tem o seu objecto, "cela va de soi", _ pois por norma, segundo estudos feitos, estes indivíduos, para além da superação de experiências traumáticas pessoais, ganham capacidades potenciadoras em termos de intervenção junto de outros sujeitos a trauma. É ainda uma área de intervenção na psiquiatria e pedopsiquiatria e actualmente
um tema em estudo e aplicação na pedagogia... e a ele contamos regressar...


(Veja mais sobre este assunto: http://pt.wikipedia.org/wiki/Resili%C3%AAncia_%28psicologia%29 )



23/04/08

...Uma Bússola Dos Dias...

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SAILING...

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Vou sair
A fazer vela
Na veia cava
Do mundo.

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E enquanto
Traço rotas
Vou fazer de
Cada memória
Um bem enterrado
Defunto

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Vou dedicar-lhe
Lápide, flor,
Um quê de oratória
_ Lágrima, nunca!
Nem prece,
Que reservo
Ao futuro.

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E a cruz que
Vou deixar
Vai ganhar
Um substituto:
Rosa-dos-ventos
De amar
Em todos os pontos
Cardeais
_Em um Universo
Sem fundo.
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Casa da Água - Livro II – 04-05


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(...) Quando descobri a expressão “ dar a volta ao texto “, algo em mim passou a ter nome, significado com território mapeado. Mais tarde, cheguei mesmo a dobrar as arestas de certas esquinas, a virar direcções da rosa-dos-ventos, a alienar bússolas certas e a fazer faróis de luzeiros sem órbita fixa.(...) _ "Registos"


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..........Assim, à laia de prólogo, e ainda que de modo um tanto indirecto, faz-se a abertura deste blog, um lugar vocacionado, à partida, para reflectir sobre as deixas / ensaios dos dias ainda por subir ao palco da vida..._ e pleno de escolhos na própria criação!, (quem acompanhou a edição original poderá ter-se dado conta de alterações na edição...indesejadas, no mínimo...), mas adiante! ... _ e, já por isso mesmo, um exemplo de sua razão de existir: lugar de pôr à disposição e consideração de quem passe, e se detenha, num pano de fundo tecido de palavras-luzeiros de grandes pensadores e pretendo-saberes dos actores dos dias que passam, entrelaçando contribuições com interrogações, pausas, avanços, talvez recuos, quem sabe?, que a vida faz-se a descobrir...

.........Enfim, sem pretender ser tomada por ambiciosa, gostaria de dar espaços, e lugar, a diferentes sentidos e formas de ver a Filosofia, que deixa a muito boa gente a impressão de ser uma velha senhora disciplina sentada num elevado pedestal_ e geralmente também muito disciplinada _, um pouco mofenta, quiçá uma espécie de monumento desgastado ou até em pré-ruína, para ser admirada à distância.


........No meu entender, a Filosofia deveria, sim, ser um farol de orientação, uma bússola dos dias que têm de ser vividos com os olhos da alma a sobreporem-se aos olhos do corpo, numa era eminentemente materialista, que todos denominam de falência de valores... _ mas que valores...que falência, entre tantas que vão ocorrendo...?!

..........De certo modo, é para mim uma forma de falência aquela que se limita _ e delimita por esse motivo _ a diagnosticar o que está mal. É interessante determo-nos a verificar que a ajuda mais modernamente procurada é a dos psicólogos, na ajuda a "crises" de índole pessoal/familiar/social, etc., que os individuos mais cultural ou finaneiramente equipados procuram.

.. .......Não seria tão mais interessante e positivo ter a ajuda de filósofos a conduzirem terapias, numa, finalmente, Prática da Filosofia (a não confundir, nem por um momento, com qualquer movimento denominado "pragmatismo"), apontando caminhos em frente, destacando o melhor a potenciar em cada um e suas circunstâncias, em vez de se desgastarem os pobres pacientes em intermináveis re-visitas a passados caducos, perpetuando rastos de vidas em ópticas distorcidas pela falta de clareza ou de auto-conhecimento, tantas vezes o verdadeiro cerne de tanto sofrimento?
E eis o espaço, venham os depoimentos...

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Nota: Desde já fique como reparo o relativo valor que deve pesar, face à expressão de opiniões pessoais, o de citações de nomes de personalidades, nomeadamente de pensadores e filósofos aqui invocados/a invocar. Para mim trata-se de um retorno, sem rendição :" Pois o homem que pensa pela sua cabeça conhece as autoridades pelas suas opiniões só depois de ter adquirido opiniões próprias, e só para as confirmar, enquanto o filósofo livresco começa pelas autoridades, conseguindo construir as suas opiniões através da junção das opiniões dos outros: depois, o seu espírito fica a parecer-se com o deles, tanto como um autómato se parece com um homem verdadeiro." _ A. Schopenhauer.


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