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SAILING...
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Vou sair
A fazer vela
Na veia cava
Do mundo.
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E enquanto
Traço rotas
Vou fazer de
Cada memória
Um bem enterrado
Defunto
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Vou dedicar-lhe
Vou dedicar-lhe
Lápide, flor,
Um quê de oratória
_ Lágrima, nunca!
Nem prece,
Que reservo
Ao futuro.
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E a cruz que
Vou deixar
Vai ganhar
Um substituto:
Rosa-dos-ventos
De amar
Em todos os pontos
Cardeais
_Em um Universo
Sem fundo.
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Casa da Água - Livro II – 04-05
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(...) Quando descobri a expressão “ dar a volta ao texto “, algo em mim passou a ter nome, significado com território mapeado. Mais tarde, cheguei mesmo a dobrar as arestas de certas esquinas, a virar direcções da rosa-dos-ventos, a alienar bússolas certas e a fazer faróis de luzeiros sem órbita fixa.(...) _ "Registos"
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..........Assim, à laia de prólogo, e ainda que de modo um tanto indirecto, faz-se a abertura deste blog, um lugar vocacionado, à partida, para reflectir sobre as deixas / ensaios dos dias ainda por subir ao palco da vida..._ e pleno de escolhos na própria criação!, (quem acompanhou a edição original poderá ter-se dado conta de alterações na edição...indesejadas, no mínimo...), mas adiante! ... _ e, já por isso mesmo, um exemplo de sua razão de existir: lugar de pôr à disposição e consideração de quem passe, e se detenha, num pano de fundo tecido de palavras-luzeiros de grandes pensadores e pretendo-saberes dos actores dos dias que passam, entrelaçando contribuições com interrogações, pausas, avanços, talvez recuos, quem sabe?, que a vida faz-se a descobrir...
.........Enfim, sem pretender ser tomada por ambiciosa, gostaria de dar espaços, e lugar, a diferentes sentidos e formas de ver a Filosofia, que deixa a muito boa gente a impressão de ser uma velha senhora disciplina sentada num elevado pedestal_ e geralmente também muito disciplinada _, um pouco mofenta, quiçá uma espécie de monumento desgastado ou até em pré-ruína, para ser admirada à distância.
........No meu entender, a Filosofia deveria, sim, ser um farol de orientação, uma bússola dos dias que têm de ser vividos com os olhos da alma a sobreporem-se aos olhos do corpo, numa era eminentemente materialista, que todos denominam de falência de valores... _ mas que valores...que falência, entre tantas que vão ocorrendo...?!
..........De certo modo, é para mim uma forma de falência aquela que se limita _ e delimita por esse motivo _ a diagnosticar o que está mal. É interessante determo-nos a verificar que a ajuda mais modernamente procurada é a dos psicólogos, na ajuda a "crises" de índole pessoal/familiar/social, etc., que os individuos mais cultural ou finaneiramente equipados procuram.
.. .......Não seria tão mais interessante e positivo ter a ajuda de filósofos a conduzirem terapias, numa, finalmente, Prática da Filosofia (a não confundir, nem por um momento, com qualquer movimento denominado "pragmatismo"), apontando caminhos em frente, destacando o melhor a potenciar em cada um e suas circunstâncias, em vez de se desgastarem os pobres pacientes em intermináveis re-visitas a passados caducos, perpetuando rastos de vidas em ópticas distorcidas pela falta de clareza ou de auto-conhecimento, tantas vezes o verdadeiro cerne de tanto sofrimento?
E eis o espaço, venham os depoimentos...
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Nota: Desde já fique como reparo o relativo valor que deve pesar, face à expressão de opiniões pessoais, o de citações de nomes de personalidades, nomeadamente de pensadores e filósofos aqui invocados/a invocar. Para mim trata-se de um retorno, sem rendição :" Pois o homem que pensa pela sua cabeça conhece as autoridades pelas suas opiniões só depois de ter adquirido opiniões próprias, e só para as confirmar, enquanto o filósofo livresco começa pelas autoridades, conseguindo construir as suas opiniões através da junção das opiniões dos outros: depois, o seu espírito fica a parecer-se com o deles, tanto como um autómato se parece com um homem verdadeiro." _ A. Schopenhauer.
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